De ansiedade à epilepsia: Entenda o CBD como remédio

Já imaginou tratar sua ansiedade com “extrato de maconha”? Ou Parkinson e até Alzheimer?

O CBD, ou canabidiol, não possui efeitos psicoativos e  ganhou fama mundial pelas suas propriedades medicinais.

Até mesmo a Organização Mundial da Saúde (OMS) sinaliza que o CBD pode ajudar a tratar sintomas relacionados à diversas doenças, desde alzheimer até ansiedade.

Veja como esse composto extraído da Cannabis funciona e como ele pode ajudar no tratamento de doenças simples e até mesmo naquelas consideradas intratáveis.

Como o canabidiol é diferente da maconha?

CBD significa canabidiol. É o segundo composto mais abundante dos mais de 400 existentes na Cannabis.

Portanto, o CBD é um componente da maconha (um das centenas) e por si só não causa efeitos psicoativos, conforme afirma relatório da Organização Mundial da Saúde:

“Em humanos, o CBD não apresenta efeitos indicativos de qualquer abuso ou potencial de dependência. Até o momento, não há evidências de problemas relacionados à saúde pública associados ao uso de CBD puro ”.

Como o CBD age no corpo e consegue tratar doenças

O potencial terapêutico do canabidiol, um dos principais fitoquímicos encontrados na maconha, foi  ignorado por médicos e cientistas durante décadas. 

Mas nos últimos anos, sua capacidade de tratar distúrbios raros veio à luz, levando à pesquisa mais intensiva sobre o CBD.

Ainda é muito obscuro seu funcionamento, mas há alguns indícios de que ele aumenta ou melhora a produção de nossos próprios endocanabinóides, os quais regulam funções básicas como humor, apetite, dor, sono e outros.

Além disso, pesquisas recentes mostram em detalhes como o CBD parece funcionar para tratar doenças mais complexas como síndromes raras envolvendo convulsões.

Os estudos sugerem que o canabidiol bloqueia o receptor acoplado à proteína G 55 (GPR55), que ocorre no cérebro e nos órgãos periféricos. 

No cérebro há a regulação da transmissão sináptica – o processo que envia moléculas de sinalização de um neurônio para outro. As conexões entre essas células cerebrais são mais fortes quando esse GPR55 é ativado.

Quando os neurônios se tornam hiperativos ao transmitir sinais, disparando com mais frequência do que deveriam, temos convulsões. Dessa maneira, o CBD bloqueia o receptor GPR55, reduzindo as convulsões. 

Outro indício que evidencia a redução de convulsões com o uso de CBD é que ele parece dessensibilizar outro receptor (TRPV1), o que também reduz as convulsões.

CBD no sistema

Foto: MCANZ

 

O CBD também é conhecido por envolver um canal que transporta adenosina – um composto anticonvulsivo que o corpo produz. 

Mas esses alvos moleculares não são específicos para um determinado tipo de crise ou síndrome, por isso o CBD pode ser usado para outros tipos de distúrbios convulsivos.

Outro tipo de interação do canabidiol com o canal de ânion específico sugere que ele pode ser útil para o tratamento de distúrbios do movimento, como a doença de Parkinson. 

E sua capacidade de interagir com os receptores de serotonina faz com que os cientistas pensem que pode ser útil no tratamento da depressão, ansiedade e psicose no transtorno bipolar e na esquizofrenia. 

Óleo CBD e outras formas em que podemos encontrá-lo

A forma mais comum de conseguir o CBD é pelo seu óleo, isso porque um óleo transportador é a forma mais fácil e eficaz de extrair o composto das plantas.

Por isso, a maioria dos medicamentos é em forma de óleo, como o Óleo Esperança da ABRACE produzido e regulamento no Brasil  (saiba mais sobre a associação e seu óleo aqui).

Mas existem várias formas de óleo de CBD, incluindo cápsulas de gelatina, tinturas e spray sublingual. 

Algumas formas de óleo de CBD também podem ser aplicadas diretamente na pele, na forma de produtos como cremes e pomadas. A concentração de CBD varia de produto para produto.

Nesse sentido, o canabidiol se transformou em um fenômeno cultural nos Estados Unidos e em outros países com estados que legalizaram a Cannabis.

Apesar da decisão dos governos não estarem diretamente ligada ao CBD, às vezes até mesmo não o regulamentando, co composto está amplamente disponível ao balcão, desde suplementos até protetores labiais.

Enquanto os cientistas tentam entender o mecanismo do complexo e explorar seus possíveis benefícios para a saúde, algumas barreiras legais dificultam sua pesquisa.

No ano passado, um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelou que o CBD pode ajudar a tratar sintomas relacionados à Doença de Alzheimer, Doença de Parkinson, MS, dor, ansiedade, depressão, câncer e complicações diabéticas.

Em recente estudo científico Quase 62% dos usuários de CBD relataram o uso de CBD para tratar uma condição médica. As três principais condições médicas foram dor, ansiedade e depressão. Quase 36% dos entrevistados relataram que o CBD trata sua (s) condição (ões) médica (s) “muito bem”, enquanto apenas 4,3% relataram “não muito bem”. Um em cada três usuários relatou um efeito adverso não sério. As chances de usar o CBD para tratar uma condição médica foram de 1,44 (intervalo de confiança de 95%, 1,16-1,79) vezes maior entre os usuários não regulares de Cannabis do que entre os usuários regulares.

O CBD é legal?

No Brasil, a luta dos com filhos sofrem com síndromes envolvendo epilepsia acelerou a liberação do uso do CBD em 2015. 

Assim, o processo de importação de remédios pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ficou um pouco menos demorado, no entanto, há regras rígidas para esse processo.

Algumas entidades, como a ABRACE já aqui mencionada, tem a autorização do governo para o plantio da Cannabis e a produção do óleo CBD.

Outra opção é o Sativex,aprovado em 2017 no país. Ele é um produto que possui quantidades iguais (1:1) de CBD e THC (outro componente da Cannabis com efeito medicinal cientificamente comprovado).

O remédio é um marco para o país, já que apenas esse produto à base de cannabis obteve o registro aprovado na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), sendo que para sua compra só é necessário a apresentação de uma receita médica.

Outros benefícios do CBD

Ao falar do funcionamento do canabidiol já ressaltamos as principais doenças em que ele atua, mas vale a pena conferir mais especificamente sobre outras doenças que ele ajuda a tratar:

CBD medicinal

Fonte: Very Well, ilustração de Brianna Gilmartin

CBD para Ansiedade

O CBD mostra-se promissor no tratamento de transtornos de ansiedade, segundo um relatório publicado na revista Neurotherapeutics em 2015

Analisando resultados de pesquisas foram encontraram evidências de que o CBD pode ajudar a tratar o transtorno de ansiedade generalizada. transtorno de pânico, transtorno de ansiedade social, transtorno obsessivo-compulsivo e transtorno de estresse pós-traumático. 

No entanto, os autores alertam que a pesquisa baseada em humanos sobre o CBD e a ansiedade é bastante  limitada neste momento.

Óleo de CBD para controle de vícios

O óleo de CBD pode ser de algum benefício para aqueles com dependência, sugere uma revisão publicada na revista Substance Abuse em 2015.

Na análise de 14 estudos publicados anteriormente, os cientistas determinaram que o CBD pode ter efeitos terapêuticos em pessoas com opióides, cocaína e/ou dependência psicoestimulante. 

Eles também descobriram que o CBD pode ser benéfico no tratamento da dependência da própria Cannabis e tabaco.

Síndrome de Dravet e de Lennox Gastaut

Já citamos aqui todos os benefícios que o CBD promove ao tratar convulsões, mas vale ressaltar sobre essas síndromes tão difíceis de tratar por métodos convencionais.

Além disso, foi aprovado pela Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos o epidiolex, sendo o primeiro medicamento regulamentado no país que contém uma substância medicamentosa (o CBD) purificada derivada da maconha.

Uma revisão de 2019 de estudos sobre o Epidiolex mostrou uma redução de frequência de crises sustentada entre 30 e 63 por cento. Além disso, as convulsões eram cerca de metade da gravidade e o estado pós-convulsivo (após convulsão) também era menos grave.

Estudos anteriores mostraram que as crianças com síndrome de Dravet experimentaram uma diminuição na frequência das crises com o Epidiolex e foram capazes de tolerar a medicação.

CBD farmacêutico

A GW Pharmaceuticals enche os pequenos potes do medicamento Epidiolex, aprovado em 2018 nos EUA
(Fonte: GW Pharmaceuticals em Chemical & Engineering News)

Conclusão

O canabidiol tem eficácia comprovada por inúmeros artigos nos tratamentos de diversas doenças.

Mesmo naquelas mais difíceis de serem tratadas, o quadro é de melhora quando o CBD é utilizado.

Aqui vimos os principais mecanismos pelos quais o CBD age no corpo humano, embora ainda tenhamos muito a ser descoberto.

Agora que você já sabe como o CBD funciona e todos seus benefícios, aproveite seu conhecimento para deixar de lado os preconceitos com as substâncias medicamentosas derivadas da maconha.

 

Gostou das informações? Já sabia de todos esses benefícios? Restou alguma dúvida? Deixe seu comentário abaixo!

 

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