Cannabis e esportes: Uma combinação inusitada que pode dar muito certo

Usuários de maconha principalmente os de uso recreativo sabem do preconceito que ainda existe ao associar maconha com preguiça ou baixo desempenho. Quem fala abertamente que é usuário frequente, escuta comentários baseados no senso comum, generalizações e inclusive muitos absurdos – deixe nos comentários sua profissão e o maior absurdo que você já ouviu sobre quem fuma maconha – vamos pelo menos nos divertir.

No mínimo, podemos dizer que existe o estereótipo na sociedade de alguém que não é necessariamente motivado.

Desafiando esses conceitos pré-estabelecidos, a combinação de cannabis e esporte se tornou uma tendência,  inclusive contando com o apoio de atletas profissionais. Avery Collins e Jen Shelton, por exemplo, são exemplos de campões que admitiram performar melhor com o uso contínuo de maconha.

Mas como a planta pode beneficiar na prática de exercícios físicos?E como fica a lei anti-doping sobre o assunto? 

Confira as respostas nesse post que inaugura nossa nova coluna que será focada em maconha e alta PERFORMANCE, seja no trabalho, esporte ou vida pessoal.

Cannabis e esportes: Como a planta pode ajudar nas atividades físicas

Até muito pouco tempo, havia um consenso – burro-  onde maconha e praticar esportes, principalmente em alta performance eram coisas opostas. Por um lado, aqueles dedicados aos exercícios físicos, com muita energia e disposição. E, por outro lado, pessoas associadas ao esteriótipo citado na introdução, com baixa motivação.

No entanto, isso mudou. À medida em que a maconha ganhou mais popularidade, os atletas também começam a se envolver com o seu uso e relatar diversas percepções e benefícios de contribuição da maconha no esporte.

E, para a surpresa de todos, fumar ocasionalmente não parecia mais tão ruim. Os atletas ainda se saíram bem em seus esportes e permaneceram consistentes com seus programas de exercícios. A maconha também não parecia retardar o crescimento muscular.

Cannabis no esporte

Fonte: Queen’s Journal

A principal alegação é a de que o relaxamento causado pela Cannabis ajuda no pós-treino como relaxante muscular, anti-inflamatório e também ajuda no sono, melhorando a recuperação do atleta.

Além disso, uma das principais substâncias da maconha, o CBD, é considerado um agente de cura em muitos círculos esportivos, melhorando a recuperação dos atletas. Alguns vão até mais longe e discutem o efeito dos canabinóides na prevenção de lesões cerebrais traumáticas, que são muito comuns em esportes de alto impacto como futebol americano, rugby e handebol. (Confira este interessante estudo que fala sobre as grandes chances que jogadores da NFL têm de apresentar doenças mentais em idades mais avançadas (Demência, alzheimer, etc) provocadas por lesões cerebrais de quando jogavam.)

Nesse sentido, vamos ver mais sobre os efeitos da Cannabis comprovados por trabalhos científicos a seguir.

Trabalhos científicos sobre Cannabis e esportes

Uma das bases científicas para justificar os benefícios da maconha no esporte, é o fato de que nosso corpo produz, naturalmente, compostos semelhantes ao da planta após exercícios. Pesquisas mostraram altos níveis de anandamida, um canabinóide produzido naturalmente no corpo, na corrente sanguínea das pessoas após atividades físicas.

Assim, a ingestão de maconha imita o processo natural de aumentar os endocanabinóides induzidos pelo exercício, diz Gregory Gerdeman, professor assistente de biologia na Eckerd College. “A alegria desse corredor – seja natural ou induzida pela maconha – pode minimizar a distração e ajudar o exercício a ser não apenas um meio para um fim, mas um prazer”.

Esses efeitos positivos da planta podem estar também indiretamente relacionados ao esporte, como ajudar no relaxamento antes ou depois de uma competição. Tanto é assim, que muitos atletas consomem maconha devido aos seus efeitos sobre a ansiedade, bem-estar e uma noite de sono melhor.

Outros estudos também sugerem que a maconha pode aumentar a oxigenação dos tecidos, melhorar a visão e a concentração, ajudar os atletas a esquecer experiências traumáticas anteriores relacionadas à atividade (como quedas ou lesões), reduzir espasmos musculares e ajudar no alívio da dor.

Mais recentemente, um dos mais proeminentes especialistas em lesões cerebrais do Canadá, o neurocirurgião Dr. Charles Tator, no Centro de Concussão Canadense do Toronto Western Hospital, observou que estava esperançoso de que a pesquisa sobre a maconha pudesse beneficiar aqueles que sofrem de problemas pós-concussão.

No entanto, alguns estudos, especialmente os mais antigos, mostram alguns resultados negativos do uso da Cannabis relacionado ao esporte. Um estudo realizado em 2003 constatou relação negativa do desempenho em esportes com o uso de cigarro, álcool e cannabis. 

Os autores concluíram que essa relação depende do tipo de esporte praticado, bem como do nível de competição, e mais pesquisas são necessárias.

O fato é que cada organismo reage de uma forma diferente, além de que há diversas formas de uso da Cannabis, assim como vários tipos de produtos a base da planta, sendo necessárias pesquisas considerando todos esses fatores.

Organizações esportivas, lei anti-doping e Cannabis

A resposta generalizada é que  maioria das organizações esportivas não permite que os atletas consumam maconha. Mas isso realmente depende do corpo esportivo.

As Federações Esportivas Internacionais, em sua maioria, aderem à Agência Mundial Antidopagem ( World Anti-Doping Agency – WADA), a qual proíbe (em geral) o uso da planta.

Porém, não estamos aqui para te dar respostas generalizadas, por isso vamos um pouco mais a fundo no tema.

Os critérios do código de anti-dopagem da WADA para que uma substância seja considerada proibida são os seguintes: 

  • Que essa substância tenha potencial para melhorar o desempenho esportivo;
  • Que ela ofereça risco de para a saúde do atleta;
  • Que seu uso viole os valores do esporte, o “espírito olímpico”.
Cannabis no esporte

Fonte: Kannabia

Algumas brechas no anti-doping

Logo de cara, vemos que o uso da Cannabis pode não se enquadrar em nenhum desses pontos, o que não levaria à sua proibição, como ocorre hoje. Tanto é assim, que diversos atletas alegam esses 3 pontos para a liberação da maconha nos esportes.

A lista atual de substâncias proibidas (disponível aqui no site da WADA), fala que os as substâncias provenientes da planta são proibidas durante a competição, ou seja, ninguém fala sobre a proibição em treinos e fora da temporada.

Outra “brecha” é que a restrição se refere apenas ao THC (delta9-tetrahidrocanabinol), preparações herbais, ou derivados sintéticos que tenham efeito similar ao THC. 

Como existem mais de 400 substâncias químicas presentes na maconha, é fácil deduzir que as outras substâncias não são proibidas. Dentre elas, a que chama mais atenção pelos seus efeitos medicinais é o CBD, como já comentamos acima.

O problema é que nem sempre é fácil encontrar um produto a base de Cannabis sem o THC.

Um ponto importante aqui também são os níveis de metabólitos de THC na urina. Anteriormente, o WADA restringia esse valor em 15 ng/ml, hoje é de mais de 150 ng/ml na urina, um número 10 vezes maior e que facilita a utilização da maconha e seus derivados.

Com base em tudo isso, é muito possível que usuários eventuais não sejam prejudicados pelas leis anti-doping. Inclusive, se houver uma abstinência de mais de 30 horas, é provável que os níveis de THC ainda estejam dentro dos níveis aceitáveis.

Mas é claro que cada organismo funciona de um jeito, portanto, se você participar de uma competição com anti-doping é preciso avaliar cuidadosamente a questão do uso da Cannabis.

Além disso, o uso medicinal da planta é liberado, desde que justificado e acionado o AUT (Autorização de Uso Terapêutico). 

Atletas profissionais e amadores que utilizam maconha e seus depoimentos

Mike Tyson Cannabis

Ex-boxeador Mike Tyson, campeão dos pesos-pesados hoje em dia é um investidor da indústria canábica.
Foto: CDN

Achou que o uso da maconha e esportes é um assunto novo? Ou revolucionário? Não é bem assim. Diversos grupos e atletas profissionais estão tirando benefícios da planta há um bom tempo. Confira aqui uma lista de 20 grandes atletas que defendem o uso da maconha no esporte.

Grupos de corrida pró-maconha, como o Run on Grass, em Denver, são dedicados a manter a forma e educar outras pessoas sobre a maconha, enquanto comunidades on-line como a Cannafit e a NORML Athletics também promovem a cannabis nos esportes.

Edson, a esposa do advogado e defensor da maconha Warren Edson, não fuma nem ingere maconha. Em vez disso, ela usa produtos tópicos à base de maconha para tratar sua bursite.

 “Sou uma corredora e tenho um amigo que mora em Crested Butte, que está sempre me falando sobre a classe mundial alpinistas que usam cannabis como um aprimorador de desempenho. Um pouco os ajuda a se concentrar e se concentrar quando escalam. E eu pensei, como podemos passar a mensagem para pessoas que talvez não colidam regularmente com alguém que é usuário de cannabis.”

Além disso, o ex-jogador da NFL Eben Britton foi muito a público sobre o uso de maconha. Britton disse que a maconha lhe permite formar uma conexão mais profunda com seu corpo, a ter exercícios mais gratificantes e o ajuda a controlar a dor.

Cannabis no esporte

Eben Britton
Fonte: Tucson

A Wana Brands é uma empresa de produtos infundidos sediada no Colorado, com operações em Oregon, Nevada e Arizona. A empresa apoia dois atletas: o ultramaratonista Flavie Dokken e o iogue Martha Triantafillides. A maconha é uma alternativa natural para recuperação e alívio da dor, disse Dokken em um comunicado à imprensa: 

“Quero educar mais pessoas sobre como a Cannabis pode melhorar a qualidade dos seus exercícios. Certamente me ajudou a ser um atleta melhor. ”

Conclusão

Embora mais pesquisas sejam necessárias, fica claro que as hipóteses em relação aos benefícios do uso da Cannabis como auxiliar em esportes de alto rendimento são bem promissoras.

É claro que é preciso respeitar o limite do corpo e ter atenção quanto às formas de utilização, especialmente quando se pretende melhorar o desempenho pois as consumir da forma mais comum (fumando) por si só já é algo prejudicial a sáude. 

 

E você, sabe de algum atleta que faz uso de Cannabis? Pratica algum esporte? Deixe seu relato nos comentários! 

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