Artigos e pesquisas falando sobre a eficácia da Cannabis no tratamento de Covid-19, o coronavírus.

O uso da Cannabis no tratamento contra a Covid-19 é uma possibilidade apontada por pesquisadores americanos e canadenses que desenvolveram estudos iniciais sobre o tema. Ainda sem a realização de testes em pessoas, os cientistas analisaram o potencial do canabidiol (CBD) em animais e modelos 3D de tecidos humanos em simulações laboratoriais. 

O primeiro estudo, realizado na Universidade de Geórgia, nos Estados Unidos, trouxe indicativos que o CBD pode amenizar danos pulmonares causados pela doença. Além disso, os cientistas observaram o aumento dos índices de apelina,  peptídeo natural responsável pela redução de inflamações no corpo. Já o segundo estudo, da Universidade de Lethbridge, no Canadá, sugere a inibição da entrada do coronavírus nas células através do uso de 13 ativos com níveis elevados de canabidiol. Para os autores, existe a hipótese do CBD ser utilizado na prevenção da doença.

Covid e o potencial terapêutico do Canabidiol – Estudo Universidade da Geórgia 

Segundo o estudo da Universidade de Geórgia, o CBD desempenha um papel protetor reduzindo a tempestade de citocinas, protegendo os tecidos pulmonares e reintegrando a estabilidade. Nas análises, a substância estabeleceu melhores níveis de oxigênio no sangue, contribuiu para a recuperação dos pulmões e redução dos indícios da reação desregulada do sistema imune. As informações foram publicadas no artigo Cannabis and Cannabinoid Research e aponta para o potencial terapêutico do canabidiol em pacientes com a forma grave de Covid-19.

maconha e covid-19
Foto: Pixabay

Os cientistas utilizaram um modelo que permite simular em laboratório a síndrome respiratória aguda grave induzida por infecção viral e avaliar a ação do CBD na diminuição dos sintomas. O modelo é baseado no material genético do vírus, uma versão sintética do RNA de fita dupla do novo coronavírus que pode se ligar às células dos receptores para se replicar. O segmento viral foi chamado de Poly. 

De acordo com o estudo, como os humanos não estão habituados ao RNA de fita dupla, a exemplo do que ocorre com a contaminação pelo coronavírus, o Poly recebe atenção imediata dos receptores que ajudam na identificação dos invasores e consequente resposta imunológica. 

Na testagem, os ratos receberam três doses diárias de Poly, depois injeções de CBD diariamente. O experimento foi realizado de acordo com as regras e regulamentos do Comitê Institucional  de Uso e Cuidado de Animais. Segundo os pesquisadores, os animais que receberam o canabidiol primeiro tiveram uma reação imune mais adequada. O CBD contribuiu para uma melhora mais rápida dos sintomas clínicos, além de mostrar a atenuação de danos nas estruturas dos pulmões. 

A partir disso, os cientistas acreditam que a ação do CBD tem a ver com semelhanças em alguns endocanabinoides, que consiste em um sistema natural de sinalização celular que pode estar implicado em várias funções, do sono à resposta imunológica. Os principais receptores desse sistema, CB1 e CB2, são encontrados em todo corpo, no cérebro e no sistema respiratório. “Considerando todos os efeitos regulatórios potenciais do CBD, bem como a vasta distribuição do sistema endocanabinóide no corpo, é plausível que o CBD possa ser usado como um candidato terapêutico no tratamento de várias condições inflamatórias, incluindo Covid-19 e outras síndromes respiratórias agudas graves induzidas por vírus”, descreve o relatório.

ATENÇÃO: Apesar dos resultados positivos, os cientistas ressaltam que são necessários mais estudos com o canabidiol, inclusive testes em humanos, antes de qualquer tipo de prescrição no tratamento contra a Covid-19.

CBD pode ajudar a regular níveis de apelina

Em nova pesquisa publicada no Journal of Cellular and Molecular Medicine, os cientistas apontam que o canabidiol possibilita o aumento dos níveis de apelina, peptídeo natural conhecido por reduzir inflamações. Produzida por células do coração, pulmão, cérebro, tecido adiposo e sangue, a apelina é importante na regulação da pressão arterial e inflamação. O estudo indica que, com a redução da apelina consequente da ação do coronavírus, o CBD pode ajudar a regular os níveis do peptídeo juntamente com a função pulmonar.

tratamento para covid com maconha
Fonte: Pixabay

De acordo com o estudo, quando a pressão fica elevada, os níveis de apelina sobem para ajudar a baixá-la. A partir disso, os pesquisadores supõem que o peptídeo se comporta da mesma forma para regular o aumento da inflamação nos pulmões e as dificuldades respiratórias associadas à síndrome respiratória aguda grave. 

“Idealmente, o nível de apelina aumentaria nas áreas dos pulmões onde é necessário melhorar o fluxo de sangue e oxigênio para compensar e proteger”, explica Babak Baban, um dos autores da pesquisa, em entrevista.

No entanto, isso não aconteceu durante os testes realizados em ratos, até o canabidiol ser injetado nos animais . Segundo os pesquisadores, o nível de apelina quase foi normalizado após o CBD. Para eles, o peptídeo tem semelhanças com a enzima que serve de entrada ao coronavírus, após o momento de infecção das células. Ambos estão presentes em muitos tipos de tecidos em comum e trabalham juntas para regular a pressão arterial.

A questão é que o coronavírus reduz os níveis dessa enzima e a quantidade de apelina no organismo. Os cientistas ainda não entendem muito bem esse acontecimento, mas a descoberta contribuiu para uma melhor compreensão acerca dos efeitos do canabidiol nos ratos. Os pesquisadores pretendem dar continuidade ao estudo e fazer testagens em humanos para avaliar se o CBD pode ser eficiente contra danos causados pela Covid-19.

Canabidiol como inibidor  para entrada dos vírus na célula- Estudo da Universidade de Lethbridge Canadense

Sem fazer testagem em animais, pesquisadores da Universidade de Lethbridge, também sugerem que a cannabis pode ser uma opção no tratamento contra o coronavírus. Com a utilização de 13 ativos com altos níveis de canabidiol, o estudo aponta a possibilidade de inibição da entrada do vírus nas células. As substâncias têm potencial para bloquear o acesso do vírus à enzima que serve como ponte para as células humanas. Para o experimento, foram utilizados modelos 3D de tecidos orais, das vias aéreas e intestinais de humanos.  

Os cientistas ainda sugerem que o CBD pode funcionar para a prevenção e tratamento da Covid-19, através da formulação de enxaguantes bucais ou produtos de gargarejo para uso clínico ou domiciliar. Os produtos podem ajudar na redução de entrada do vírus pela via oral.
Mesmo com o resultado animador, os autores alertam que a pesquisa ainda não foi finalizada, precisa ser revisada por outros pesquisadores e publicada em revistas científicas, além de realizar outras testagens. “Embora nossos extratos mais bem-sucedidos exigem validação adicional em uma análise em grande escala e um modelo animal, nosso estudo é crucial para a análise futura dos efeitos da cannabis medicinal no Covid-19″, explicam os autores.

Cannabis e Covid-19: Indígenas do MA criam remédio para combater a doença

indigenas e covid
Fonte: Igo Estrela/Metrópoles

No Maranhão, índios da etnia Guajajara produziram um remédio natural à base de cannabis e jenipapo para combater o coronavírus. Os ingredientes são extraídos das plantas na aldeia do Bacurizinho.

Conhecido pelo nome de garrafada, o medicamento natural é comum na região para o tratamento de várias doenças. Apesar de não ter comprovação científica sobre a eficácia, a confiança na cura através das ervas faz parte da cultura do povo indígena. Na aldeia, os índios mantêm uma variedade de garrafadas naturais com a indicação da doença e as recomendações de uso.

Cânhamo na produção de máscaras para Covid19

Não é só o canabidiol que mostrou potencial para o combate à Covid-19, o cânhamo também serviu como base para a criação de máscaras de proteção contra o coronavírus. A máscara, acessório de uso obrigatório em tempo de pandemia, é feita com fibras naturais da planta. Além da eficácia na proteção, o produto é uma alternativa inovadora e biodegradável, diferente das máscaras descartáveis e de materiais poluentes. 

máscaras de cânhamo coronavírus

Fonte: Reprodução/Instagram

Segundo a Géochanvre, empresa francesa que idealizou o produto, o cânhamo utilizado nas peças é orgânico e não tem nenhum tipo de produto químico, inclusive pode ser compostada e voltar direto para o solo após o uso. Nesse caso, o cânhamo tem propriedades que dispensam a aplicação de outros produtos, a exemplo da cola. Com eficácia de filtragem de 89%, o formato bico de pato da máscara mantém maior distância da boca e aumenta o conforto. Na França, já foram vendidas 1,4 milhão de unidades.

O cânhamo também serviu de matéria-prima para a produção de máscaras reutilizáveis. A marca portuguesa DopeKicks confeccionou as peças e destinou à doação para idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade. A vantagem do modelo, diferente da peça francesa, é que ela pode ser reutilizada e higienizada várias vezes. Além das máscaras, a DopeKicks produz calçados e meias com fibras de cânhamo. Segundo a marca, os produtos são resistentes e estão alinhados às estratégias de sustentabilidade, até a borracha utilizada no solado vem da reciclagem.

máscaras de cânhamo covid

Fonte: Reprodução/Facebook

Assim como a DopeKicks, a empresa italiana Maeko Tessuti lançou máscaras de cânhamo reutilizáveis. A marca ainda utiliza outros materiais, como algodão e nylon. Dos quatro modelos, duas são 100% cânhamo e as outras, mesclam cânhamo e algodão. Os produtos possuem uma camada de nylon interna para a impermeabilização.  

Vale ressaltar que o uso de máscara continua sendo obrigatório e importante para evitar o contágio pelo coronavírus. Os cuidados gerais para quem opta pela máscara de cânhamo são os mesmos dos equipamentos de segurança feitos de outros materiais. O acessório de proteção deve ser de uso pessoal e higienizado frequentemente. Além disso, a máscara deve cobrir totalmente a boca e nariz sem deixar espaços, ou seja, deve estar bem ajustada ao rosto para garantir sua eficácia.
O cânhamo é da mesma espécie da maconha, a Cannabis Sativa, entretanto possui características genéticas e finalidades diferentes. A planta é cultivada para produção de diversos produtos, entre eles alimentos e bebidas, produtos de higiene, suplementos nutricionais, tecidos e materiais têxteis, papel e materiais de construção. Diferente da maconha, o teor de tetrahidrocanabinol (THC) é bem inferior, o que retira o potencial psicoativo e permite o uso na confecção de produtos como as máscaras. Nos países onde o cânhamo pode ser cultivado, a concentração de THC é definida por lei estimulando as linhagens com baixo nível do ativo e até a remoção dele nas plantas.

Cannabis e Covid-19: Grande volume de fake news

Diante de tantas relações entre a cannabis e Covid-19, é comum que circule em redes sociais informações falsas sobre o tema. Desde o início da pandemia, a circulação de uma imagem sobre a conclusão de um estudo que associa o uso da maconha com a imunidade ao coronavírus é uma delas.

O material simula uma matéria que afirma que pessoas que fumam maconha estariam protegidas do vírus baseado em um falso estudo feito nos Estados Unidos. Ao contrário dos estudos apresentados aqui, uma breve pesquisa na web mostra a inexistência da referida pesquisa americana. 

Na contramão de uma imunidade, vale destacar que são necessários cuidados para evitar a contaminação e adoecimento nessa pandemia. Segundo especialistas da área de saúde, as pessoas que fumam não devem compartilhar cigarros e acessórios de uso pessoal, a exemplo das piteiras. Além disso, também é importante a higienização das mãos antes e após a manipulação de qualquer objeto. Sem a devida prevenção, existe o risco de contágio por via oral. 

Apesar de estudos científicos apontarem para o potencial da cannabis medicinal no tratamento da Covid-19, não existe comprovação sobre uma proteção contra o coronavírus. Em outras palavras, as informações que são compartilhadas sobre a blindagem para a doença são falsas. Cabe pontuar que as atuais pesquisas buscam trazer alternativas ao cuidado de pacientes infectados tendo em vista a eficácia do canabidiol.

Para não cair nessas e outras fake news, é importante tomar alguns cuidados. Veja algumas ações de prevenção:

Desconfie

Não tome como certeza mensagens sem fontes que circulam em aplicativos, a exemplo do WhatsApp, e outras redes sociais. A dúvida cabe ao fato da impossibilidade de rastreio da fonte da informação, realidade que facilita a disseminação de fake news. Em muitos casos, esses dados têm como objetivo a criação de um ambiente de pânico ou incertezas.

Questione

A exemplo da fake news que afirma que a cannabis protege do coronavírus, questione acontecimentos que possam ser bem positivos, mas não tenham tomado as páginas dos noticiários. O mesmo vale para informações que estejam relacionadas com situações catastróficas ou muito negativas. Cabe a atenção com a data da publicação, pois existem dados descontextualizados que são compartilhados e causam desinformação.

Confira

Sempre que possível, utilize sites de checagem para saber se um assunto é falso ou não. Nesses sites, existem profissionais qualificados para a verificação das informações, a exemplo da Lupa

Observe

Veja se a notícia já foi publicada em veículos jornalísticos, desde a grande imprensa até a imprensa alternativa. Se ainda persistir alguma dúvida, procure a fonte original da informação, a exemplo de relatórios, pesquisas.

Evite

Não compartilhe informações sem a certeza da veracidade. Siga as dicas anteriores antes de passar adiante.

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