Aprenda a base de tudo! Como fazer (e chapar) suas receitas com maconha!

Se você fuma 10 gramas em uma só sessão, sabemos que você vai ficar muito chapado, mas se você comer 10 gramas de maconha crua você não vai sentir quase efeito nenhum. Estranho, não? Isso é explicado pelo processo da descarboxilação, reação química fundamental que ativa os canabinóides responsáveis pelos maravilhosos efeitos psicoativos da maconha.

A descarboxilação é a base de toda culinária canábica, e nesse guia vamos te ajudar a entender e dominar esse processo mágico e preparar as melhores laricas cannábicas.

Por que descarboxilar?

Todos os canabinóides presentes na planta da maconha in natura estão inativos, porque possuem um grupo carboxila (COOH) extra em sua composição. Para que esses canabinóides sejam ativados, ou seja, comecem a dar onda, o calor precisa entrar em ação na molécula. Apenas com a ação do calor o grupo carboxila é retirado e a substância se torna psicoativa para nosso organismo.

processo químico da descarboxilação
Transformação do THCA em THC (Foto: Leafly)

Ao fumar, não precisamos nos preocupar com este processo de descarboxilação, pois aquecemos a erva a altas temperaturas, descarboxilado instantaneamente o THCA em THC, que é facilmente absorvido pelo pulmão. Esse processo que ocorre quando fumamos a maconha é chamado de combustão e ele pode oferecer mais riscos ao pulmão do que outras formas de ingerir maconha, como comer ou vaporizar.

Isso porque além de transformar o THCA em THC, durante a combustão, o CO² e outras  toxinas prejudiciais a nossa saúde respiratória são produzidas e liberadas na fumaça, que inalamos. A mistura da erva com tabaco potencializa os danos causados pela combustão. Portanto, comer a maconha também pode ser uma forma de redução de danos, mas cuidado! Não exagere na quantidade! É muito difícil dosar a maconha em receitas, então é melhor começar com quantidades menores.

Mas afinal, para que serve a descarboxilação? Quando ingerimos a erva, a combustão não acontece e precisamos que o THC e outros canabinóides estejam com a estrutura mais preservada o possível. Por isso, na culinária canábica, a descarboxilação serve para que o THCA se transforme em THC.   

Como é feita a descarboxilação?

A descarboxilação é feita em uma temperatura mais baixa durante um período de tempo mais prolongado. Calor e tempo são os fatores mais importantes na descarboxilação. O que se sabe é que o THCA começa a ser descarboxilado quando exposto a uma temperatura de aproximadamente 105 ºC durante 40 minutos. Sabemos também que alguns canabinóides começam a ser perdidos em temperaturas acima de 150 ºC, então devemos sempre ficar atentos à temperatura máxima durante o processo de descarboxilação.

Leve sempre em conta que utilizar uma menor temperatura somada a um longo tempo de preparo resulta em uma quantidade maior de THC ativado e com mais terpenos conservados (ou seja, mais gosto de erva!).

Por que comer maconha ao invés de fumar?

Já batemos muito nessa tecla e vamos continuar batendo, embora a cannabis seja uma planta com inigualável poder medicinal, o ato de fumar é algo extremamente danoso. O monóxido de carbono e a alta temperatura da fumaça provoca diversos danos à saúde.

Os comestíveis, ou edibles, em inglês, tiram de cena esse fator de risco. Por isso, que tal começar a fazer uma receita canábica pelo menos uma vez por semana? Temos certeza que seu pulmão e corpo irão agradecer!

Qual a diferença entre comer e fumar?

Fumar

A onda demora alguns segundos ou até minutos para começar. O efeito pode durar até 6 horas dependendo da quantidade inalada e alguns efeitos podem ser sentidos no corpo até 24 horas após o consumo.

  • Prós: O efeito vem rápido e é mais fácil dosar a quantidade consumida.
  • Contras: Qualquer fumaça é prejudicial à saúde dos pulmões, seja essa fumaça proveniente da queima de madeira, tabaco ou maconha. Toxinas e substâncias cancerígenas são liberadas durante a combustão de materiais. Apesar de menos nociva que a fumaça do cigarro, a fumaça da maconha ainda sim danifica os pulmões e deve ser evitada quando pensamos em redução de danos.

Foto: Royal Queen Seeds

Comer

Os efeitos podem começar entre meia hora e 2 horas depois de ingerir, o pico da onda se dá em média 4 horas após ingestão, podendo durar mais de 8 horas. Alguns efeitos ainda podem ser sentidos no corpo dias após a ingestão, dependendo da quantidade.

  • Prós: Reduz os danos causados pela prática de fumar. Depois de já preparado, seu consumo é discreto, afinal não tem cheiro.
  • Contras: Até que você pegue o jeito das coisas e acerte a mão na receita, a dosagem na hora do preparo pode ser difícil. O efeito com duração muito mais prolongada também faz com que sejam mais raras as situações que possamos comer um brigadeiro de maconha.

A dificuldade em dosar e a demora para o efeito bater também pode fazer com que o usuário coma mais do que a quantidade que ele aguenta e isso pode desencadear uma viagem difícil. Por isso a dica é ir comendo aos poucos! Esperando o tempo de casa dose bater. 

Lembre-se, mesmo que você tenha ingerido mais do que deveria, fique tranquilo, outra coisa que não nos cansamos de dizer aqui é: você não vai ser o primeiro a morrer de maconha!

Como fazer a descarboxilação da minha maconha em casa

Agora que você sabe os conceitos básicos da descarboxilação, fica mais fácil entender qual o objetivo de cada método que vamos passar aqui. Essas são as técnicas que já testamos e comprovamos, então fique tranquilo. 

Sinta-se à vontade para testar novas técnicas e metodologias que não passamos aqui, se conhecer alguma que dá certo, deixe seu comentário abaixo contando para gente!

Todos os métodos vão ter alguns passos em comum, que são: 

  • A quantidade de maconha é opcional, mas geralmente faz-se a conta de 0,5 a 2 gramas de maconha descarboxilada por pessoa.
  • Dixave bem e retire galhos e sementes
  • Ao terminar a descarboxilação, sua erva vai estar ativa, ou seja, se você comer ela nesse ponto já irá ficar chapado
  • Se for descarboxilar o prensado, deixe a maconha respirar por aproximadamente 30 minutos depois de dixavada para que a amônia evapore um pouco
  • Se sua erva tiver com cheiro forte de amônia ou não estiver em uma condição boa no geral, você pode lavá-la com água morna (O THC não é solúvel em água)

Descarboxilação no Forno

A maioria dos métodos conhecidos são feitos no bom e velho forno de cozinha. Se atente para a temperatura! Ela deve alcançar um mínimo, mas o mais importante é que não ultrapasse o máximo. Fornos mais precisos e/ou termômetros são de grande ajuda para manter a temperatura e aumentar a eficiência da sua descarboxilação. Caso a regulagem mínima do seu forno seja maior que 130ºC, você pode colocar um pano de prato ou uma rolha para manter a porta do forno entreaberta, é uma técnica conhecida por quem produz suspiro e outros doces delicados. Vamos lá:

Forma de bolo

descarboxilação no forno

Você vai precisar de:

  • Forma de bolo
  • Papel manteiga
  • Papel alumínio
  • Sua erva

Como fazer:

  1. Cubra o fundo da forma de bolo com o papel manteiga
  2. Espalhe a erva dixavada uniformemente sobre o papel manteiga
  3. Use o papel alumínio para tampar a forma
  4. Coloque no forno pré-aquecido entre 100ºC e 130 ° C. 150ºC já é muito!
  5. Deixe por pelo menos 40 minutos, aconselhamos deixar por 1 hora. Deixar por uma hora e meia a 2 horas não é incomum, principalmente se estiver usando temperaturas próximas ou abaixo de 100 ° C.
  6. Está pronta a sua farinha canábica! 

Nessa temperatura, com 40 minutos de forno, o THCA começa aos poucos a ser convertido em THC. A cobertura de papel alumínio vai preservar os terpenos além de conter o forte cheiro produzido pelo aquecimento da erva.

Pote de conserva

descarboxilação pote de conserva
Foto: Leafly

Método muito utilizado no exterior e menos conhecido em terras tupiniquins. A vantagem dessa técnica é a contenção do cheiro, por utilizar um pote fechado. Recomendamos utilizar temperaturas ainda mais baixas aqui, equilibrando com mais tempo de forno, para que a descarboxilação continue eficiente.

  1. Coloque a erva dixavada em um pote de conserva e tampe normalmente.
  2. Não encha mais que um terço do pote. A maconha vai liberar gases ao ser aquecida e não queremos aumentar muito a pressão interna do pote.
  3. ATENÇÂO: Não abrir o pote imediatamente após retirar do forno, espere o barulho de “click” que a tampa faz ao diminuir a pressão interna do pote. Pode demorar alguns minutos.

Manteiga canábica

Vamos te passar duas receitas de manteiga canábica diferentes, uma mais completa e eficiente, que é feita com mais tempo e em banho maria – que é a que recomendamos. A outra é mais rápida de ser feita, mas sua eficiência pode não ser tão boa tendo em vista que seu processo pode levar à perda de alguns canabinóides pelas temperaturas elevadas. 

Manteiga em banho maria

manteiga cannábica banho maria
Foto: SensiSeeds

Para fazer uma manteiga cannábica em banho maria você vai precisar de:

  • Manteiga (quantidade que você for utilizar na receita).
  • Recipiente de vidro ou inox.
  • Panela que caiba o recipiente.
  • Sua erva

Como fazer a manteiga cannábica:

  1. Coloque a manteiga e a erva dixavada no recipiente de vidro ou inox
  2. Coloque a mistura em banho maria
  3. A manteiga canábica nunca deve ferver!
  4. Ela deve ficar em banho maria entre 1 a 6 horas
  5. O segredo aqui é a paciência, uma manteiga que ficou 1 hora em banho maria não se compara ao poder de uma manteiga que ficou 6 horas!
  6. Preste muita atenção na água da panela, caso ela evapore, o recipiente vai entrar em contato com a panela e a manteiga vai fritar!
  7. Use uma peneira de inox ou um pano de prato para coar a manteiga. O THC é lipossolúvel e nesse momento se encontra todo misturado na manteiga. Essa etapa é opcional, mas recomendada.

Manteiga simples

Esse método é bem simples e rápido, talvez por isso seja o mais conhecido. Funciona, sua erva vai descarboxilar e sua manteiga vai dar onda, mas não espere a eficiência dos outros métodos. Com certeza você vai perder mais THC por excesso de temperatura e vai ativar menos THC por causa do tempo de preparo.

manteiga de maconha
Foto: Herb

Método muito bom para quem não quer investir muito tempo e mesmo assim quer curtir um bom prato canábico. Para fazer uma manteiga de prensado é muito importante lavar bem a sua erva antes.

Como fazer: 

  1. Coloque a erva dixavada e a manteiga na panela.
  2. Com o fogo baixo, mexa por pelo menos 10 minutos.
  3. Não deixe a manteiga fritar a maconha. Desligue o fogo quando precisar.
  4. Para melhores resultados, faça isso por meia hora.
  5. Agora use uma peneira de inox ou um pano de prato para coar a manteiga. O THC é lipossolúvel e nesse momento se encontra todo misturado na manteiga. Essa etapa é opcional, mas recomendada.

Erva descarboxilada, e agora!?

Agora que sua maconha está ativada, faça a receita que desejar! Aqui vão algumas sugestões que a gente gosta de fazer com a manteiga ou com a própria erva: Omelete, risoto, escondidinho ou até mesmo uma caipirinha com um pouco de erva salpicada dentro, fica uma delícia e você fica chapado em dobro! Só tenha cuidado para não aquecer a maconha em temperaturas maiores que 150 ºC.

erva descarboxilada

Foto: Leafly

Lembre-se que o interior de uma comida que vai ao forno normalmente não chega a temperatura interna do próprio forno (Por exemplo, o interior de um bolo que vai ao forno à 150º C não chega a essa temperatura).

Aqui no Mapa, já temos duas receitas prontinhas para você que quer meter a mão na massa: Brisadeiro e Brownie mágico!

Com o tempo vamos trazer novas receitas, e se você tiver alguma sugestão de qual deveria ser nossa próxima, deixe nos comentários! Não se esqueça de compartilhar suas experiências com a gente!

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