Conheça um dos Haxixes mais antigos do mundo e a história da cannabis no Paquistão

O Haxixe Pasquistanês, também conhecido no Brasil como paqui, é um tradicional haxixe feito sem solventes. Ele é bem saboroso e não concentra altos teores de THC como o Ice-o-lator ou outros concentrados.

A produção de haxixe fica principalmente na região noroeste do país. Esta região é conhecida pelas províncias que não estão sob controle do governo. É considerada uma região tribal, onde drogas e armas são produzidas livremente.

O melhor haxixe é produzido nas regiões de Citral, Swat e Khaibar, porém diversas plantações de Cannabis foram convertidas em plantações de papoula (ópio), fazendo o haxixe paquistanês original ser bem raro hoje em dia.

Neste texto vamos conhecer a origem do paqui, um dos tipos de haxixes mais antigos do mundo. Também vamos aprender como identificá-lo e como ele é feito. Então se você quer aprender como fazer haxixe paquinstanês, fique ligado!

Origem do Haxixe no Paquistão

Entre a Índia e o Afeganistão, no coração da Ásia, o Paquistão é conhecido pela cultura da maconha há muitos anos. O cultivo e uso da cannabis não é meramente recreativo, mas sim ritualístico e medicinal. Toda a planta é usada, desde das raízes para fazer chá e medicamentos naturais para a dor até os seus buds para fazer haxixe.

Os três países disputam o posto de berço da maconha, isso porque não se sabe quando começou o uso da maconha na região, mas sabemos que começou por ali. Algumas evidências são hábitos que a população mantém até hoje, como por exemplo, um chaí de cannabis chamado Bangh.

O Bangh, drink a base de cannabis popular na região, tem relato de uso há mais de mil anos antes de Cristo. Outros registros mais modernos indicam que os mercados de haxixe de Peshawar foram estabelecidos na década de 1960, quando os hippies viajavam a rota da seda, caminho popular da Europa à Índia. 

O cânhamo também esteve presente no Paquistão, assim como no resto da Ásia, para produzir tecidos e diversos tipos de óleos. O Haxixe Paqui faz parte das tradições envolvendo a maconha no país.

Genéticas Lendárias

Como já falamos, essa região da Ásia Meridional é o berço da maconha. Isso faz com que o Paquistão guarde genéticas lendárias de maconha. Essas genéticas são chamadas de landraces e são a base para a criação de outras strains.

A strain carrega características importantes como o aroma, sabor e até efeitos recreativos e medicinais da planta. Por isso, as landraces têm um papel muito importante no desenvolvimento genético da cannabis, já que a maioria das strain híbridas são descendentes de uma dessas genéticas. 

Haxixe Paquistanês
Foto: Imgrum

As landraces encontradas no Paquistão são as mães da família Kush, como por exemplo a Hindu Kush, strain que leva o nome da cordilheira Indocuche ou Hindu Kush. A cordeira de 1200 km de extensão entre Afeganistão e Paquistão disputa o posto de berço da cannabis com a cordilheira dos Himalaias, porém todas essas montanhas estão grudadinhas umas nas outras, então dá para saber que é por lá que surgiu a cannabis.A Hindu Kush é uma strain indica e produz efeitos de calma e é muito rica nos seus efeitos medicinais para dores, náuseas e também stress.

Outra landraces encontrada no Paquistão é a Pure Afghan. Essa strain é predominantemente do Afeganistão, mas como já dissemos, as montanhas que dividem os países estão muito próximas, então é possível encontrar a cepa no país vizinho também. 

Já a Pakistan Valley Kush é predominantemente encontrada ao lado do Paquistão. Essa strain é indica e super resistente. Os efeitos da strain são relaxantes e ótimos para aliviar dores pelo corpo.

O Pakistan Chitral Kush é uma strain originária do distrito de Chitral, ao norte do Paquistão. Ela apresenta colorações de vermelho e roxo e é super resistente. O buds carregam muitos tricomas e, por isso, de todas as landarces citadas, essa strain é uma das mais usadas para fazer o Haxixe Paki.

Características do Paqui 

O Haxixe Paquistânes, Paqui ou Paki é muito similar ao Haxixe Afegão e ao Charas. Ambos seguem um método de extração sem solventes, manual e artesanal. É uma forma simples e rudimentar de fazer haxixe. É lenta e exige o corpo, mas é isso que a torna um ritual muito importante.

As diferenças entre esses três tipos de haxixe de produção semelhante fica por conta das características como cor e sabor. Outros fatores que podem alterar a qualidade e aparência do hash é a forma de cultivo.

Haxixe Paqui
Foto: Atlantis Cannabis Company

O Charas é o método de extração mais simples que existe e para fazer o Haxixe Paquistanês você precisa esfregar as mãos na planta cheia de resina até que os tricomas grudem na sua mão e você aperte formando o Haxixe. Luvas são um acessório importante para evitar desperdício. 

  • Cor: Preto e marrom por fora, marrom por dentro. Às vezes uma tonalidade de verde bem escuro também pode ser vista.
  • Consistência: Muito macio, parece muito com o haxixe afegão.
  • Potência: Média-alta. Normalmente mais potente que o afegão, porém sua qualidade dependerá muito da sua procedência.
  • Disponibilidade: Muito raro. Com a conversão dos campos de Cannabis em campos de papoula, o haxixe paquistanês original ficou difícil de ser achado no mercado – vale lembrar que haxixes produzidos com o mesmo processo podem ser vendidos como sendo paquistanês, porém não são originalmente da região.

Haxixe Paqui x Haxixe Marroquino

A extração do Paquistanês é semelhante ao Afegão e ao Charas Indiano, porém é bem diferente do Haxixe Marroquino! Já explicamos como é feito o Haxixe Marroquino, de uma outra forma tradicional e sem solventes, mas diferente do paqui. 

O Haxixe Marroquino é feito de forma mais rápida, facilitando a produção em larga escala e por conta disso também é muito mais fácil de ser encontrado do que o paki.

Como fumar o Haxixe Paqui?

Existem várias formas de consumir a maconha além do tradicional baseado. O Haxixe Paqui, por exemplo, pode ser consumido com um chillum, instrumento tradicional hindu ou fumado em um baseado misturado com erva picada ou tabaco. Outra forma de consumir um paqui é vaporizando.

A maconha é legal no Paquistão?

Uma coisa que deve intrigar os leitores é a questão da maconha ser plantada livremente nas montanhas do Paquistão. Para nós que vivemos em um país proibicionista, é muito difícil imaginar os pés crescendo livremente na montanha e o haxixe sendo feito à mão de forma lenta e artesanal. Afinal, a maconha é legal no Paquistão?

A Convenção Única das Drogas foi em 1961 e desde então todos os países membros da ONU estão proibidos de cultivar e vender maconha. O Paquistão também aderiu a leis proibicionistas e uma política de drogas mais dura durante os anos 60 e 70, mas sempre foi feita uma vista grossa no país.

Em 2020 um marco muito importante: Paquistão aprova o cultivo e comercialização medicinal da maconha e industrial do cânhamo. Tal medida, segundo o ministro da ciência e tecnologia Fawad Chaudhry, ajudará o país a entrar no mercado bilionário de cannabidiol.

Outra vantagem da aprovação do uso industrial do cânhamo no país, é a possibilidade de utilizar todo o potencial da planta. As sementes de cânhamo podem ser usadas para a produção de óleos, medicamentos e podem substituir gradativamente o algodão na indústria têxtil.

Espero que vocês tenham se encantado pela história deste tradicional Haxixe artesanal. Caso tenha ficado alguma dúvida só deixar nos comentários.

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